Para G. (agora e sempre, o outro lado do espelho)
Abri o meu coração e deixei sair tudo aquilo que lá estava fechado... Deixei correr os rios de sangue que, até aqui, tinha conseguido conter... Abri-te o meu coração...
Sem pensar nem medir as palavras (ou talvez por as medir de mais...) falei-te com a sinceridade de um crente... Confessei-me sem medo e assumi os calvários dos meus pensamentos...
Assumi que vivo dividido entre o quotidiano e o outro lado do espelho... Que cada gesto meu, cada passo, cada pensamento, tem no espelho o seu reflexo... Que cada decisão, agora, é pensada e pesada como se não houvesse amanhã...
Nada fiz para merecer isto... Acredita, nada fiz... Mas nada fiz para merecer que tudo acabe e que a tua luz se apague no meu peito...
Convencionei ser um ser normal, com forças e fraquezas, com vitórias e derrotas... Convencionei viver a minha existência orientado pelas regras que julguei serem as mais acertadas... Agora já nem sei...
Fecho os olhos, respiro fundo, e vou debitando no meu caderno de desabafos este rol de pensamentos... E rezando para que continues, agora e sempre, no outro lado do espelho...
05 Abril 2010
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