11 Dezembro 2009

Deixa-me aninhar nos teus braços...

"Deixa-me aninhar nos teus braços esta noite", disse-te, fazendo aquela expressão de menino abandonado, que só eu sabia fazer... Tu sorriste, nada disseste, e abriste o teu peito para me acolheres, acariciando-me os cabelos... como se eu fosse mesmo um menino.

Nessa noite, amámo-nos em silêncio... amámo-nos com a raiva e a entrega de dois amantes que se queriam mais do que tudo no universo. Nos braços um do outro, recuperámos a virgindade há muito perdida, e descobrimos, como se fosse a primeira vez, o prazer de nos entregarmos a um outro alguém.

Depois do amor, depois dos corpos cansados, fiquei acordado até de madrugada... Velei por ti, enquanto dormias, e assim esperei pelo nascer do Sol... com o coração em chamas e a alma exausta...

Na manhã seguinte, sem que nada o fizesse prever (?), arrumaste as malas e partiste... "Acabamos", julgo ter-te ouvido dizer... mas, nessa altura, já as lágrimas corriam pela minha face e os ouvidos se fechavam, procurando proteger-me da agressão que me fazias.

Nunca mais te vi... nem recebi uma carta tua... e o silêncio que desde aí se instalou, abriu no meu peito uma chaga... que em vão procuro sicatrizar...

Agora, sozinho, contemplo a paisagem à minha frente, e espero que voltes... espero ainda que voltes... que voltes para mim.

0 comentário(s):